Relatos

Curso de Formação de Guias


Por rdmilone.

MUITO TEMPO ATRÁS...

Comecei a escalar aos onze anos, não totalmente consciente da atividade, mas fui a um acampamento e subi a Pedra do Baú (ela mesmo) pelas escadas. Aos dezessete comprei meu primeiro baudrier e passei a fazer regularmente o CEPI e o Costão. Ainda ficava azarando, lá na Pedra do Urubú, as cordas do pessoal. Pita, Mônicas e Paulo Macaco davam show e (às vezes eu conseguia uma sapatilha emprestada!).

Com o passar do tempo a minha inexperiência deu lugar à uma insaciável vontade de conhecer melhor as montanhas, as trilhas, e os procedimentos de segurança. Gastei tempo fazendo prussik no platô da lagoa e no urubú (sempre nos negativos claro), comecei a frequentar o clube e me deparei com escaladores que eram muito mais ágeis que eu em trilhas . E embora eu escalasse tecnicamente mais que alguns sempre me ferrava nas trilhas, me perdia etc... Tem a famosa história do meu pernoite forçado na Pedra da Gávea. 

Dito isto, e depois de muitas pegadinhas dos meus amigos aqui do CEC, foi organizado um CFG pros 'novos guias' se prepararem e ganharem experiência. A ata abaixo explica melhor. Os guias da época como Rinelli, Heraldo, Kallman e Tony fizeram um grande esforço e nos 'formaram'. Como conclusão tivemos nosso 'projeto' de graduação. Segue um pouco da nossa história para todos.

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Como hoje estamos vendo um grande grupo de excelentes escaladores que estão 'se formando', num modelo de curso muito mais participativo, lembrei dos meus anos tentando terminar meu projeto.

continua...

Abertura da Temporada 2019


Por rdmilone.

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Vem aí mais uma edição do Rio nas Montanhas! Em 2019 o evento acontecerá de 27 a 28 de abril, na já tradicional Praça General Tibúrcio, na Urca.
Esse ano o tema do evento é: Clubes: História e Cultura e estamos criando uma bela galeria de fotos históricas com a colaboração dos Clubes do Rio de Janeiro. Se você ou seu clube tiver fotos,contribua!

Desde janeiro já estamos trabalhando e organizando cada detalhe para fazer um evento incrível e diversas atividades já estão confirmadas, entre elas, é claro, o Mosquetão de Ouro, que está com o período de indicações aberto!

Participe, espalhe a notícia, combine com a família e os amigos, coloque na agenda e venha prestigiar o maior encontro do montanhismo no Rio de Janeiro!Quer ficar por dentro de tudo que acontece antes, durante e após o evento? Acompanhe nossas Redes Sociais e o site, que é atualizado diariamente com as novidades e confirmações para o Rio nas Montanhas.

ATA Reunião de Diretoria Técnica - 04/09/2018


Por rdmilone.

Clube Excursionista Carioca
Ata de Reunião de Diretoria

Data : 04/09/2018
Local : Sede – Rua Hilário de Gouveia 71/206
Horários:
Início às 19:30
Término às 21:15
Reunião foi gravada em áudio com 1:48:15 de duração

Sócios presentes:
Frederico Campos
Marcos Linhares
Alexandre Ferreira
Rodrigo Milone
Rodrigo Rodrigues
Leandro Moda
Hamilton Kai
Wagner
Quem mais ?!!!!

Pauta sugerida e debates
Esta reunião segue a pauta da reunião de Diretoria do dia 21/08/2018:
“Ao final da reunião foi convocada uma RDT para o dia 04/09/2018 para detalhar os assuntos discutidos nesta reunião...”

1º tema – Revisão dos equipamentos do CBM e compra de novos;
Milone sugeriu a compra de equipamentos novos para os Cursos Básicos, sendo importante a atualização de alguns baudriers, comprar um rolo de cordeletes de 6mm para atualizar os dos CBM e buscar mosquetões adequados para aparelhos de rapel (ATC).
A definição sobre assunto foi: aproveitar as oportunidades que aparecem e comprar os equipamentos oferecidos com custo baixo pro CEC.

2º tema – Revisão de proteções fixas e manutenção de vias do clube;
Foi contabilizado que temos atualmente 40 chapas PinGo, 60 chumbadores e 7 grampos P.
Milone falou da proposta de reformar o LAGARTÃO e pensar em usar grampos de titânio na reforma para manter a característica da via. Fred falou do custo quase inviável de conseguir comprar uma quantidade de grampos de titânio a preço acessível no Brasil, e propôs que pensássemos no uso de grampos de inox (Collinox e outros). Ainda ressaltou que os ambientes aonde são sugerido o uso de titânio são de classe 4 e não acontecem no Brasil, sendo plenamente aceitável o uso de proteções inox 316 sendo que os modelos de chapeletas atualmente disponíveis superam os requisitos.
Fred ainda atualizou os presentes de que em reunião anterior o CEC decidiu por comprar levas de proteções mistas, 60% de chapas e 40% de grampos P, mas não foram comprados mais grampos P somente 100 chapas PinGo da Bonier. Isso leva à ideia de que o CEC deve passar a comprar proteções que tenham durabilidade comprovada (INOX ou Ti) e sem solda evitando problemas recorrentes de degradação das mesmas.
O debate segue com ponderações como:
Linhares: “O grampo você sabe que foi bem batido, ele canta...”
Fred concorda: ”O grampo fala contigo...”
Alex: “Só não podemos usar duas chapas PinGo em paradas, é m… pra rapelar”
… todos concordam…e Fred diz que ainda não escalou nas PinGo.
Ficou decidido que não compraremos mais grampos soldados, seguindo recomendação da FEMERJ e documentos internacionais.
Sobre a reforma do Lagartão depois de algum debate ficou definido que:
- Consultaremos o Jean sobre o tipo proteção que ele aceitaria
- Verificaremos valores para a compra de Collinox e/ou TitanClimb.
Linhares falou sobre a reforma de outras vias que estão com proteções velhas: Solei, Quarto Sol e Roda Viva no Babilônia são muito frequentadas e merecem atenção em breve. Alex e Leo ficaram de avaliar e reformar a C100 na próxima temporada. Ainda foi falado que os alunos do CFG podem ser convocados a ajudar para cumprir os requisitos de Guia que exige conhecimento de instalação de proteções e manutenção de vias.
OBS: Milone e Monteza participam de um fórum da FEMERJ, via WhatsApp, que recebe informações sobre vias com proteções deterioradas ou alteradas, este é o canal principal atualmente.

3º tema - Atualização do Regulamento Interno (foi debatido durante a Reunião de Diretoria -pauta anexa- e ficou para ser melhor definido durante esta RDT:
Pontos Importantes:
- o que deve entrar no Regulamento Interno
- aprovação de novos sócios escaladores
- Monitores & EATs como conciliar?
- formação de Guias
Fred mostrou que o fluxograma de aprovação de sócios escaladores ainda não foi transportado para o Regulamento Interno (RI) e deve ser referenciado e entrar num item específico. Também falou que Milone propôs uma grande reforma do RI de forma a abranger todos os procedimentos do clube. O debate com aportes do Moda, Rodrigues e Milone seguiu mostrando que o nosso RI está defasado e vários procedimentos não estão contemplados, mas que isso é um assunto extenso e não consegue ser feito numa reunião única.
Propostas (entre os minutos 35 e 40 do audio)
- criar um documento editável online referenciando outros documentos existente que estão dispersos.
- organizar o drive e colocar nomes e modelos padronizados nos documentos.
O debate seguiu com a discussão da volta da figura do Estágio de Aperfeiçoamento Técnico EATs e a modificação dos critérios para Monitoria e Guias do Clube. Fred falou que devemos adequar os nossos currículos aos documentos da FEMERJ, de Guias e Monitores. Alex ponderou que os critérios são um pouco exigentes e seria inviável que os monitores atuais conseguissem seguir os critérios FEMERJ.
Fred falou que a volta dos EATs daria uma base de pessoas para ajudar nos cursos e atividades que estamos perdendo, pois, o nosso critério de monitores estava ‘alto’.
Pontos importantes: Fred mostrou que temos uma confusão de nomenclaturas e é importante entender a hierarquia dos documentos da FEMERJ:
Monitor de Montanhismo → Guia de Caminhada → Guia de Cordada → Guia de Montanha.
Debate: Alex ressaltou que o ‘Monitor de Montanhismo’ (FEMERJ-STM-2017-06) não pode ‘guiar sem supervisão’ vias de escalada. Fred falou que isso já é uma questão interna de cada clube. Milone disse que o fato de ’guiar sob supervisão’ já é um poder concedido por fazer parte do corpo de sócios do CEC, aonde as atividades e os sócios já são supervisionados constantemente. A frase polêmica é “...monitor de montanhismo é aquele capaz de auxiliar nas excursões em ambiente de montanha, guiadas pelos guias voluntários...”
Linhares, Moda, Rodrigues, Milone, Alex e Fred debatem questões entre os minutos 42” e 1’35”.
Fred fez a proposta definitiva conforme o seguinte (1’23”):
- Guia do CEC é Guia de Montanha da FEMERJ SMT/3;
- Monitor de Caminhada passaria a ser chamado de Guia de Caminhada;
- Monitor de Escalada passaria a ser chamado de Guia de Escalada ou Guia de Escalada;
- A nossa figura de monitor seria descontinuada e teremos os EATs (monitor de atividades) cumprindo esta função, com os nossos critérios. (Obs rdmilone: pensando bem seria equivalente ao Monitor de Montanhismo da FEMERJ).
- Os EATs (Estágio de Aperfeiçoamento Técnico) vai ser constituído pelos sócios que estão pretendendo se formar guias e participar da evolução. Poderão participar do EAT sócios por indicação, mérito, convite ou solicitação da própria pessoa.
Linhares argumentou que os guias e monitores devem estar comprometidos com as atividades do clube ajudando nos cursos, abrindo excursões, podendo pensar em um estágio de aprovação para os futuros guias. Fred complementou dizendo que seria uma boa forma complementar o currículo com uma tabela de benefícios e obrigações dos guias do clube. Linhares colocou também que algumas atividades deveriam ser planejadas e obrigatórias para o nosso Corpo de Guias, como: orientação, resgate, primeiros socorros, etc… Tudo isso seria uma forma de valorizar quem tem interesse em ajudar o clube.
Ao final da reunião falou-se sobre o Curso de Formação de Guias que seria a forma de dar treinamento aos atuais sócios e suporte para a evolução técnica e também a evolução dentro das nossas categorias. Assim os nossos sócios teriam como cumprir horas necessárias de aula teórica e complementas as suas competências. O Alexandre Ferreira e o Silvio Arnaut são os coordenadores deste curso.
As propostas do nosso CFG seriam:
que deveria ser feito de forma continuada
começar a fazer em convênio com o CERJ e outros clubes, facilitando o cumprimento do currículo para os guias. Cada atividade realizada em outro clube valeria para apresentação do currículo.
as passagens de categoria seriam feitas com apresentação de um currículo nos modelos do formulário de apresentação de currículo (modelo no drive).
teria um tempo para que todos se adequassem.

O Wagner pontuou que existem guias experientes e uma grande dificuldade de que os atuais monitores ou sócios mais experientes consigam fazer as vias mais difíceis. Que isso seria importante para a evolução dos atuais sócios. Linhares contribuiu dizendo que estes lapsos de gerações são realmente difíceis de sanar. Antigamente existiam excursões obrigatórias da temporada, tipo, DDDeus, Gallotti, caminhadas fortes.
Ao final da reunião decidimos que podemos abrir um Google Form (ou questionário tipo sim e não) para que voluntariamente os sócios monitores preencham e tenhamos um padrão para redefinir as nomenclaturas. Com isso definiremos as carências do nosso grupos de sócios, verificamos os interessados em evoluir e ajudar. Isso pode ser trabalhado com uma interação maior pelas aulas do CFG.

Final da RDT.

Cachoeira dos Veados via Sertão da Onça – Bom pra burro!


Por gislainensc.

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Data: 05, 06 e 07 de março de 2019.

Expedicionários: Rodrigo Milone e Gislaine Costa.

Relato: Rdmilone e Gislainensc

A Serra da Bocaina pode ser acessada por várias cidades, nós começamos a explorará-la via cidade de Bananal-SP. No começo do verão fizemos passeios rápidos como a cachoeira das Sete Quedas e um pequeno trecho da Trilha do Ouro na Reserva Ecológica. Fomos também nas Cachoeiras do Bracuí, do Rio Mimoso e em alguns mirantes, pernoitando uma noite por lá antes do ano novo.
A partir destas pequenas explorações, conversas com algumas pessoas da região, além de avaliação dos mapas e roteiros, começamos a pensar em outras possibilidades tais como: a Trilha do Ouro no Parque Nacional da Serra da Bocaina via São José do Barreiro; a imponente Cachoeira dos Veados e a tão falada Pedra do Frade. Ouvimos falar, também, da possibilidade de uma travessia via "Sertão da Onça'' (???) que daria acesso ao trecho final da Trilha do Ouro.

Pesquisamos mapas e tracklogs, conversamos com montanhistas que já haviam percorrido a região e traçamos nosso objetivo. Chegar até a Cachoeira dos Veados pela serra de Bananal. Nossa rota incluía: a subida de carro pelo asfalto, uma possível passagem pela estrada de terra que liga o alto da serra até a Cachoeira da Onça, deixar o carro antes ou depois da cachoeira, descobrir o início da trilha e desbravar o caminho absolutamente desconhecido por nós e frequentado apenas pelos tropeiros e nativos da região. Tínhamos apenas algumas informações fornecidas pelos amigos Erick Eas e Claudio Murilo que já haviam feito algumas caminhadas por ali. Um ponto de dificuldade nesta exploração foi conseguir informações concretas que nos possibilitassem a chegada ao início da trilha.
Dicas tipo: “Passando pela baixada, ali aonde vira à direita que sai no Jardins, dali começa! Pega a trilha!” , eram fornecidas pelos moradores da região, mas não ajudavam muito.

Enfim, seguimos sem saber direito se o carro chegaria, se a estrada estava boa e se a chuva persistente nos últimos dias permitiria uma passagem tranquila. Escolhemos sair na terça de carnaval pois a previsão para os dias anteriores era ruim, com apenas uma janela sem chuvas na quarta e quinta. A Serra da Bocaina nos impressiona pela quantidade de rios e vales, as chuvas são quase diárias durante o ano todo. O destino principal são as belas cachoeiras e, os pontos de descanso geralmente algum recanto escondido na beira dos cursos d’água. A exuberância da mata só é cortada por trechos de pastos com criações e porteiras, tendo sido região de grandes fazendas de café que posteriormente se tornaram pastos.
Ao fim e ao cabo, a estrada estava ruim, mas boa. O carro atolou, mas passou! Saímos de Bananal as 07 h e chegamos à Cachoeira da Onça antes das 10 h. Aquele banho refrescante que nos deu energia para enfrentar o que nem imaginávamos.

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Foto: Cachoeira da onça

Até conseguirmos estacionar o carro em um local tranquilo foram mais duas horas, passou um senhor a cavalo e disse “ chegando na fazenda ali na frente onde tem um monte de régua branca, entra no curral, vira a esquerda e daí cumeça!.” Mais à frente uma mulher que estava tratando gado nos disse que podíamos passar a porteira, seguir até a “onça”. Mas que diabos de onça é essa?! Pensávamos! Vimos então que o “Sertão da Onça” como é conhecido na região é o final do vale, tem uma pequena vila e uma escolinha obviamente chamada de “Escola da Onça”, onde as crianças devem ser as “oncinhas” (hahahahaha). A cada curva na estrada avaliávamos se seria fácil subir de carro na volta, pois estávamos em um Gol velhinho com motor 1.0. Conseguimos passar todos os trechos piores de pedras e ladeiras barrentas, estacionar em frente à escola, mas não sem medo de ter que deixar o carro por dois dias (sem saber que seriam na verdade três dias). Enfim, começamos a descida mais ou menos às 12:30 h de terça-feira. Depois disto o bicho pegou, as indicações que tínhamos chegavam somente até aí, mas uma dica valiosa de última hora de um morador da “onça” foi: “ logo depois do rio pega pra esquerda, senão vocês vão parar em Barreiro”, e ainda “ vocês tão animados hein!”.

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Foto: Vista da ponte de concreto sobre o rio Mambucaba.

Passamos pela ponte de concreto, por cima do rio Mambucaba, e tomamos um outro banho refrescante. Depois toca a andar pelo vale, passar por porteiras, trilhas de tropeiros, caminhos de bois e nada de chegar na famosa Trilha do Ouro. Passando das 17 h começamos a pensar na possibilidade de acampar onde desse. Haviam algumas casas abandonadas na região e pastos nada acolhedores, cheios de búfalos e carrapatos.

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Foto: Vista do Vale.

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Foto: Casa velha no meio do caminho.

A chuva começou a castigar, molhar as mochilas e fomos cansando. Às vezes ligávamos o celular para tentar verificar a nossa posição em relação à Trilha do Ouro, mas o Wikiloc (por falta de experiência ou algum outro motivo) não nos mostrava. Seguimos o vale do Mambucaba paralelo à trilha que devíamos encontrar em algum momento. Enfim, às seis e meia da tarde, depois de caminhar mais de dez quilômetros, começamos uma subida que se distanciava do rio e levava a um cume à direita. Chegamos em um morro e vimos uma fileira de pinheiros com mato baixo, passamos o arame farpado e subimos este morro com o resto de luz do dia, molhados, intencionando montar a barraca e recomeçar a caminhada no dia seguinte. Ao chegar no alto vimos três casas e um pasto...Ufa! Descemos até uma das casas e uma senhora nos indicou um lugar para acampar passando outro riozinho... Hahahaha, a passagem era uma tora nivelada na parte superior com um corrimão de tronco...muito característico da região, estávamos ali no local chamado Fazenda Central.

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Foto: Vista do Vale.

Tínhamos uma boa janta, molho pronto de carne moída que fizemos com dois miojos. Tomamos um banho de rio, lavamos os sapatos embarrados, montamos um varal e fomos dormir exaustos. O dia seguinte ainda nos reservava a caminhada até a Cachoeira dos Veados e a volta subiiiiindo o rio Mambucaba. Para nossa sorte, depois de acordarmos, um senhor nos ofereceu para montar a barraca no seu terreno e uma “ajuda”, faria um almoço para nós em troca de algum dinheiro: “quanto você dá para uma comida dessas, num lugar desses?!”... “se tratou tá tratado né”...“você ganha e eu ganho”; além do famoso “eu tô aqui para ajudar, você me ajuda e eu te ajudo”. Combinamos o almoço para depois da cachoeira e foi nossa salvação, afinal o nome do senhor era Salvador. 

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Foto: Ponte de tora no caminho para a cachoeira.

A Cachoeira dos Veados é exuberantemente linda. A nossa ideia inicial era ficar apenas meia hora na cachoeira, voltar para arrumar a barraca, fazer um lanche rápido e subir de volta até o Sertão da Onça. Tendo combinado o almoço com o Salvador pudemos aproveitar ao máximo a quarta-feira de cinzas na cachoeira e ficamos umas duas horas só desfrutando daquela paisagem. Vejam, não encontramos ninguém na trilha do dia anterior, ninguém durante a manhã e ninguém estava lá na cachoeira. Assim, voltando a trilha, passaríamos mais uma noite acampados e faríamos o trajeto de volta com calma na quinta-feira.

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Foto: CEC na Serra da Bocaina.

A ida da altura da Fazenda Central até a Cachoeira dos Veados é muito tranquila, cerca de 4 km descendo a Trilha do Ouro. A volta pelo mesmo caminho foi agradável com as mochilas mais leves e o coração amansado.

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Foto: Trilha do ouro.

A trilha do ouro na Serra da Bocaina foi uma rota de escoamento do ouro no Brasil. O calçamento, ainda presente durante parte do trajeto, foi construído pelos escravos entre os séculos XVII e XIX, a partir de trilhas dos índios Guaianazes (Fontes diversas de pesquisa).

Como toda sorte vem acompanhada de algum azar, alguma surpresa estava guardada. Na volta da cachoeira, após o almoço muito bem servido, o nosso "Salvador" não nos deixou em paz o resto do dia e da manhã seguinte. Cada vez que olhávamos pro lado ele estava lá, queria levar a nossa mochila de volta no lombo do seu burro, ofereceu para levarmos um grupo pra lá. Carente e atencioso ao mesmo tempo. Toda vez que ouvia o barulho de fecho-éclair da barraca, lá estava o Salvador. “ Fazê amizade é bom né!”. Pagamos somente R$ 60,00 pelo almoço, ganhamos dois pernoites e uma penca de bananas, além do cafezinho na quinta-feira de manhã. Fizemos planos com ele de levar um grupo grande ainda neste primeiro semestre, o que o deixou animado, confiante e feliz. Escrevemos nosso contato no seu livrinho, "num sei lê não, mas tem uma sobrinha que mora lá em Perequê e sabe". E olhava o livrinho bem de perto pra ver as letras. Durante a noite tentamos escorrer um pouco as roupas molhadas e  nos preparamos para uma volta mais tranquila no dia seguinte.

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Foto: Ao centro está Salvador (elegantemente vestido segundo rdmilone) e de verde está o morador da casa vizinha que disse: "já fui até a cidade uma vez, mas a água lá é quente e cheia de cloro, não dá pra beber". Sábias palavras!
À direita Milone e sua mochilinha pack''light'' pronta para a volta.

Quinta-feira de manhã, tudo arrumado para a volta, passamos então na casa da senhora que nos indicou o local para acampar. Dona Carmem é a irmã mais velha do Sr. Salvador, está ali "plantada" desde que nasceu. Retrato em vida da Serra da Bocaina. Uma Senhora de 85 anos (ela acha) que criou sozinha seus 6 (ou 8) filhos. Seu marido faleceu quando o último deles tinha apenas seis meses. Ela contou que caçava sapos (ou rãs) para alimentá-los. Mostrou com orgulho a foto de uma senhora centenária, talvez descendente de escravos, que apareceu ali e ela cuidou até o fim dos dias. Que prazer conversar com Dona Carmem! Seu pequeno sítio hoje em dia tem uma cria de leitões, galinhas, patos e queijos maturando na varanda. Faltam remédios e roupas novas, mas ela diz que não precisa de mais nada. “Vou ficar aqui até o final”.

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Foto: Dona Carmem.

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Foto: Senhora centenária, "tinha 124 anos, aí veio um elicópto e levou ela". Reprodução do quadro que dona Carmem mostra acima.

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Foto: "Tropeiro velho" no meio do caminho.

A volta nos reservou um dia maravilhoso de sol subindo o rio Mambucaba. Caminhamos rápido apesar do calor e das dificuldades da trilha. Paramos para um almoço regado a miojo em uma das casas vazias ao longo do caminho. Seu Salvador disse que os moradores foram indo embora, os filhos não ficam e as casas ficam abandonadas. Caminha, caminha, sobe, sobe, atravessa o rio e nunca chega! Demoramos 6 horas até a Escola da Onça. Nosso maior alívio foi ver o carro e tirar as mochilas e sapatos enlameados. Ufa! Ainda tivemos tempo de tomar um banho na Cachoeira da Onça e duas cervejas na Estalagem da Bocaina antes de pegar o asfalto e descer a Serra.

Chegamos de volta em Bananal ao anoitecer ainda maravilhados com as belezas vistas pelo caminho, ansiosos para recarregar os celulares para rever a nossa aventura pelas fotos.

Curso Básico de Montanhismo 2019 e aulas experimentais


Por rodrigo.milone.

ATENÇÃO !!!

As inscrições para o Curso Básico de Montanhismo 2019 foram suspensas temporariamente por falta de alunos interessados. Reserve sua vaga preenchendo o formulário abaixo ou garante a sua vaga realizando nossas aulas experimentais

Para os que querem ter um primeiro contato com a escalada, ou ainda uma pequena dose do que será o CBM, ofereceremos as Aulas Experimentais nos dias 23/03 (seis vagas) e 13/04 (a confirmar).

Fique de olho no Facebook do CEC e nas informações e calendários do site!


Chaminé Gallotti Certificada !!


Por emerson.gaier.

RELATO VIA CHAMINÉ GALLOTTI (4, VI Sup) , PÃO DE AÇÚCAR.

Data : 24 Ago 2018
Cordadas: 1. G – Víctor Gonzales
P – Emerson Gaier e Maira Gaier
Início: 0930h
Término: 16:30h
 

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1. Antecedentes

- O Emerson e a Maira queriam realizar a Chaminé Gallotti desde o Início de 2018, porém achavam que não estavam preparados. Esse desejo veio da entrega do certificado pelo Sr TADEUSZ no almoço de final de ano de 2017.
- Em agosto, depois de fazer a Chaminé Stop, o Emerson decidiu que iria tentar, sem compromisso, fazer a Via, depois de sua reforma.
- O Emerson entrou em contato com o Linhares e com o Alexandre. Fruto dessa conversa, optou por solicitar apoio de um amigo bem mais experiente, o Víctor Gonzales.
- O Victor não tinha aula de escalada marcada e topou fazer a boa ação.
- A intenção inicial seria revezar a Guiada, deixando para o Victor as enfiadas mais difíceis. A Maira convenceu o Emerson de não guiar e ir “passeando”. O Emerson logo topou. Ficou tudo na conta do Victor. Mesmo participando, foi longe de ser um passeio.

2. Aproximação
- Nos encontramos as 0830h nas correntes e seguimos para a base. Início antes da base da Stop.

3. A Escalada

a. Croqui

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- O Croqui foi o do Monteza, depois da reforma da via. As marcações em vermelho foram as paradas efetivamente empregadas.

1ª enfiada

- Enfiada fácil, iniciando em um I grau de terra com folhas e pedras. Logo depois do 1 Grampo, inicia escalada em blocos de pedra. Enfiada bem tranquila.

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- Maira na Base e Emerson escalando.

 2ª Enfiada

- A enfiada inicia com um lance técnico de 5 Grau de agarrinhas (sobe pela direita e dá uma passada para a esquerda) e, depois, uma chaminé rasa e domínio. Logo após, tem um domínio em uma árvore, entrando em uma chaminé relativamente longa. Fizemos a Chaminé de costas para o mar. Não tivemos grandes dificulades nessa enfiada, à exceção da maira que vomitou. No final tem uma pedra encaixada em uma laca. Tem que ter um cuidado para sair da chaminé e entrar na Laca para, depois, subir no bloco.

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- Maira na parade e Emerson vencendo o 5 Grau, no início da 2 enfiada.

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- Emerson na Chaminé rasa com domínio no final.

3ª Enfiada
- O Victor fez uma enfiada curta, como mostra o Croqui. Acreditamos que uns 15 m. Enfiada em chaminé. Iniciou de cima do bloco encaixado na Laca, realizando uma chaminé de costas para o PDA, seguindo em horizontal até um outro bloco. A partir daí, virou de frente para o PAD e subiu, passando ao lado de um bloco e realizando a parada para subir os participantes. Não registramos com fotos esse momento.
 
4ª Enfiada
- Inicia com um deslocamento para a direita, subindo uma laca. É um lance de 5 grau de agarras, com boa mão esquerda. A enfiada termina com um domínio de Bloco muito exposto. Achei perigoso para o Guia. A enfiada deu uma descansada para os escaladores. Escalada em agarras é o comum hoje em dia. Apesar de ter um grau relativamente elevada, foi um refresco.

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Emerson no final da Enfiada. Observem a distância para o último grampo.

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- Maira no final da Enfiada.


5ª Enfiada
- Fizemos o 6 Sup em Artificial Móvel. Creio que o Víctor colocou um Camalot 2 na fenda. O Emerson subiu sem mochila, fez uma azelha e mandou para a Maira. Rebocou as duas mochilas e continuou até a parada. Escalada fácil, mas local bem sujo, cheio de terra. Cuidado com um buraco bem junto a pedra. Não registramos com fotos esse momento.

6ª Enfiada
- Enfiada que inicia entrando em uma chaminé, de costas para o Mar, bem pela esquerda. A subida é em diagonal para a direita até o 1 Grampo. O Victor achou melhor costurar uma pedra antes de sair da chaminé para a subida em oposição. Teve que tirar o capacete porque estava muito apertado. A oposição foi tensa para o guia, teve que tomar coragem para seguir, porque o grampo estava longe. Essa oposição acabou com as forças da Maira, pois caiu umas duas vezes. Depois, segue por uma escalada de agarras, de 4 grau, até fazer uma horizontal pequena para a direita até um grampo e iniciar uma fenda de meio corpo, até a passagem para a Stop (chaminé do L) e subir em chaminé, usando uma fenda para os pés, até a parada em móveis, em um platô.

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- Victor entrando na Chaminé.

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- Emerson na oposição, após sair da chaminé.


7ª Enfiada
- Inicia em uma chaminé bem a esquerda, após subir em um bloco, escala em diagonal até chegar no 1 grampo. A partir daí, segue para cima e para direita, bem apertado até a aresta do Totem (Gia). Chaminé muito apertada, mas possui boas agarras de mãos e de pés. Depois, sobe em agarras até o lance final. Chegamos bem cansados nesse lance final. A Maira teve muita dificuldade. Passou mal e perdeu as suas forças. Esperamos quase uma hora até que ela conseguisse chegar.
A partir da parada final, segue-se por um trepa mato até um local cheio de bambus, próximo a construção do bondinho.

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- Subida no Bloco pela esquerda e diagonal para direita até o 1 Grampo.

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- Emerson na Chaminé da Gia

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- Emerson e Maira no final da via, antes do trepa mato. A Maira sem forças para sorrir.

4. Retorno
- Retorno pelo bondinho, sem problemas.

5. Conclusão
- Escalada longa, necessitando de um dia inteiro para cordada de 3. Exige preparo físico e bom planejamento. Levar água e comida para conseguir completar sem maiores problemas. Recomendamos como uma via D3, porém não é bem protegida. Necessidade de estar escalando de forma confortável o 5º grau para Guiar. Escalada bem variada, com chaminés, agarras, oposição e fenda de meio corpo.
- Esperamos que o Sr Thadeus goste e nos conceda o sonhado certificado de conclusão.
 
Por: Emerson Gaier

Camine Gallotti na mídia


Por rodrigo.milone.

Vejam as recentes matérias sobre a Gallotti.

BBC

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45476624

Matéria no Domingo Espetacular

https://www.youtube.com/watch?v=xRRzf8aPlgY

Relato Via Italianos 5, VSup E1/E2


Por paula.caetano.

Data: 30 de agosto de 2018
Cordada: G - Paula Caetano e P - Alexandre Ferreira

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Em agosto do ano passado, o Alexandre me levou na Italianos, lembro que na epoca me preparei bem, tinha um frio na barriga só de pensar na via, acho que por ser uma clássica, e tb seria meu primeiro 5sup, lembro que fiquei muito feliz com o feito, tive que descansar algumas vezes na corda e o crux só consegui fazer la pelo lado mais facil, bem pela direita do grampo, na época nem passava pela minha cabeça um dia guiar lá.

O tempo foi passando, eu fui escalando mais, guiando algumas coisas e ainda no ano passado tinha colocado a Italianos como meta da temporada de 2018, contudo em dezembro de 2017 cai no Catangalo (com o Alexandre! rs) quebrei uma agarra na Labirintite e cai uns 8/10m isso deu uma freada nas minhas escaladas, 1 mês se escalar... mais uns 2 meses escalando com dores... mas segui em frente, com certo receio de guiar e me machucar novamente e por isso passei a participar muito, deixei de guiar coisas de III e IV e passei a participar constantemente de vias de V, VI e VII... foi excelente para minha evolução, foram vias clássicas e longas, vias esportivas de agarrinhas, esportiva de força, escaladas em Salinas, Cipo e Teresopolis, além de muitas escaladas no PdA, todas escaladas que foram essenciais para me darem confiança, mas confesso que quando entrava para guiar uma via tranquila, ficava receosa, afinal cair em III e IV tem um risco elevado lesão.

De uns 3 meses para cá, voltei a guiar, ou melhor revezar guiadas, sempre pegando um ou dois esticões, os mais fáceis lógicos (nada além de um IV grau). E escalando 3x / 4x por semana consegui ganhar uma quilometragem boa e ir retomando minha confiança. Sentia que a hora da italianos estava chegando, afinal me sentia bem lá, esse ano tinha feito ela 3x, sendo 2x seguindo pela secundo (guiando o mar de agarras) e 1x pelo cabo, mas seguia caindo sempre, tanto no crux do primeiro esticão, quando no lance " novo", onde a laca caiu! rs

Tinha recebido um convite do Leo Azevedo, para ir la guiar, mas no dia (ainda não estava 100% confiante) resolvemos ir na via Fuga do Teto, e foi ótimo, fiquei feliz em guiar o segundo esticão. Depois fiquei enrolando o Alexandre para ir lá, ele sempre me chamava vamos lá, vc guia fácil, mas ficava em cólicas só de pensar! rs! Sempre escutei falar que guiar a Vilma e a 22 de outubro eram ótimos treinos para a Italianos, então fui nas duas, mas ambas participando, e confesso que sai desmotivada, pois na Vilma nem cogitei voltar para guiar, tem uns lances de aderência estranhos (acho que tb não me dou bem com aquela agarrência do Babilônia), alias fiquei meses sem ir lá esse ano, como estava investindo em participar de grau mais alto, quase sempre ia no PdA, Cantagalo, Totem, Urubu... lá só tinha feito a IV Centenário via que por sinal gostei muito, de agarras, me lembrou o trecho do mar de agarras da secundo. Já a 22 de outubro eu tinha curtido, achei ela protegida (duas idas ao Cipo e fazendo constantemente esportiva me deixaram cagona com grampos um pouco distantes. rs!) e já estava pensando em voltar lá revezando! rs!

Na semana retrasada, conversando com o Alexandre, mais uma vez recebi o convite de ir na Italianos com ele (afinal ele é o residente daquele via né?!) e topei, marcamos para a quarta feira seguinte, mas uma vez estava eu em cólicas... mas tentando não deixar a ansiedade bater rs! No inicio da semana tivemos que trocar para quinta feira, acho que no fundo queria que ele não pudesse, mas ele remarcou e não tive como fugir! hahahaha! No dia anterior ainda vi algumas nuvens no céu, me fizeram até torcer por uma mudança de tempo (é eu estava bem cagona, mas sabia que tinha técnica para a escalada, era uma questão da cabeça mesmo), e foi nessa técnica que foquei minha noite de sono.

Quinta feira, dia 30, chegou o grande dia! hahahaha! Amanheceu um dia lindo, estava com o coração a mil, fiz algumas respirações e um pouco de meditação, peguei a bike e fui encontrar com o Alexandre, caminhamos até a base, ele foi me tranquilizando, e já estava relaxada e preparada para o desafio.

Chegando a base nos equipamos e lá fui eu, olhava aquele primeiro grampo, tão alto, mas se era alto, era fácil e assim fui, respirando, seguindo as dicas do Alexandre, que foram essenciais, após chegar ao platô e costurar o primeiro grampo, parei para respirar um pouco, só de lembrar aqui, minha respiração fica ofegante, era um desafio, tenho muito medo de queda de base. Continuei calma e tranquila, devagar até a hora da "virada da aresta" confesso que esse lance me deixava apreensiva, pois fiquei muito nervosa na primeira vez lá, mas guiando foi bem mais tranquilo do que eu imaginava, e assim fui, seguindo calmamente, respirando, ainda tinham 2 lances estranhos o crux (que na ultima vez fiz com a corda BEM justa, quase sendo rebocada rs) a chegada nele (na ultima vez tinha até caído nessa parte). Ambos o lances tive que para para analisar, na primeira tentativa não foi, tentei seguir, mas não vi o melhor caminho desci desescalando e descansei na corda, Alexandre super paciente, me deu dicas, não me apressou, o Wal e a Bia estavam fazendo a CEPI e me incentivaram também, em seguida tentei novamente e consegui sem problemas, segui mais um pouco e logo estava no crux, analisei se iria pela esquerda, direita ou meio, e decidi que ia pelo meio, me encaixei bem, só precisava subir o pé esquerdo em uma agarrinha pequena e depois subir o direito em uma aderência, e ir se equilibrando até ficar de pé, e foi, mais algumas passadas e pronto estava costurada, ufa, dali até a P1 (parei nas correntes) foi bem tranquilo. Chamei o Alexandre e já deixei tudo pronto para ele seguir, até com a seg no baudrier, afinal o combinado era guiar apenas o primeiro esticão.

Já era pura felicidade e alegria pelo dever cumprido, e mais uma vez fui convidada por ele, agora a guiar o seguindo esticão! rs! A Bia mais um vez me incentivou, falando que era o esticão de muitas agarras bem marcadas, acreditei e fui, mas uma vez fui com calma, porém mais segura, quando vi ja tinha passado o lace da laca (que ficou mega protegido) e fui escalando oras pela esquerda, oras pela direita, de forma continua e quando vi já tinha chegado na P2, me costurei direto no grampo, pois precisava de 15 costuras e só levamos 14, e reparei que tinha esquecido de pegar a parada com o Alexandre, mas tinha um mosquetão extra e uma fita vermelha, que o Alexandre gentilmente tinha levado para mim, caso precisasse laçar algum grampo, mas não precisei e confesso que até esqueci que ela tava ali comigo! hahahaha.

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Ultimo esticão foi bem tranquilo, fui com calma na saída pois tenho um certo receio de cair em fator 2, mas é bem facil, e quando vi já estava la na caverninha da italianos! Missão cumprida com sucesso \o/, até pensamos até em seguir pela CEPI, mas o celular do Alexandre estava com pouca bateria e algum cliente podia entrar em contato, então decidimos rapelar e para fazer o trabalho completo abri todos os rapeis, foram 3 rapeis justos com a minha corda, que deve estar com 57m.

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De volta a base pude relaxar completamente e curtir aquela felicidade com um sorriso estampado no rosto e muito grata ao Alexandre pela seg, parceria, confiança e incentivo, foi uma ótima escolha guiar lá pela primeira vez com ele, afinal há 1 ano atrás tinha ido lá com ele pela primeira vez. Ah e não contei, fui até com a mesma blusa, para dar sorte (pena que não sei postar fotos por aqui)

Olha ficou um mega relato, na verdade foi um pouco da minha historia, desde o CBM 2017 até essa guiada que representou muito para mim. Desculpem, mas acabei me empolgando mesmo! rs! Tenho uma certeza, 1 ano e 4 meses após terminar o CBM, posso afirmar que a escalada acrescentou muito a minha vida, é um momento de completa conexão, quando estou na pedra, estou mente, corpo e alma focados ali, uma verdadeira meditação em movimento. E tenho muito que agradecer ao Clube Excursionista Carioca, aos monitores, guias e parceiros de escalada que tive ao longo desse tempo! Agora é continuar evoluindo... Vida longa ao CEC e bora tocar para cima!

TRISTE NOTÍCIA PARA O MONTANHISMO BRASILEIRO !


Por rodrigo.milone.

É com grande pesar que os sócios do CEC comunicam o falecimento de Tadeusz Edmund Hollup. Ilustre montanhista, brasileiro e conquistador, passou a vida nas montanhas. Deixará saudades por seus feitos admirados até hoje e seu carisma, simpatia e entusiasmo.

Descanse em paz e zele por nós !
Tadeusz

Escalavrado PNSO - Via normal


Por rodrigo.milone.

Relato Escalavrado

Resumo: Escalavrado PNSO - Via normal
Data: 21/07/2018
Tipo: Escalada
Recomendações: Escalavrado - 2@ Tentativa ! Escalada de segundo grau em costões com direito a vistas incríveis da serra. Necessário o uso de baudrier e corda para alguns lances. Atividade de pelo menos cinco horas, recomenda-se lanche e 2 litros de água. Levar anorak e casaco, o cume não é abrigado. Protetor solar ! Escalada prioritária para os CBM e participantes da Gincana. O Guia reserva uma vaga de convidado para instrutores.
Local: Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Responsável(eis):
Rodrigo Milone – guia
Claudio Murilo – monitor
Participante(s):
Pablo Motta Ribeiro
João Paulo Gonçalves Ferreira
Guilherme Werneck
Rodrigo Peddinghausen
Fernando Conte
Ariane Sodré

Ponto de Encontro:

Posto Garrafão - Posto BR
Horários
Saída do RJ – 6:30
Encontro Posto Garrafão – 7:45
Começo da via – 8:40
Cume – 12:00
Início da Descida – 14:00
Término da descida – 17:00

1. Antecedentes (copiei do Emerson o padrão de relatório)
Depois de vários adiamentos conseguimos marcar esta data para o meio do ano, pois estava prometida desde a abertura de temporada ATM, e era prioridade para os que ajudaram. Acredito que tenha sido muito bom esperar alguns meses pois os alunos do CBM tiveram tempo para praticar um pouco de escalada e procedimentos, isto facilitou demais a dinâmica da nossa escalada. Além de todos estarem com os equipamentos novos, comprados com cuidado e bem escolhidos. Eu gostei demais dos freios que eles escolheram, ninguém comprou aquele Megajul, todos os freios eram estilo parrudos, bons de montanha!
Acabei marcando e colocando a descrição meio no instinto, fazia um tempo grande que eu não ia a esta montanha, mas marquei certo: escalada de segundo grau, dia inteiro, muita água.
Pela localização da escalada, com entrada pela estrada, não é necessário o pagamento de entrada no Parque. 

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Foto – entrada da trilha numa das captações de água da estrada.

2. Escalada
A via começa em uma especie de rio seco, logo na beira da estrada. Tem uma placa na entrada da trilha indicando a “Trilha do escalavrado” que acho que devia ter o nome de “Escalada” para não causar acontecimentos indesejados como os que tivemos. Num local aonde a segurança de todos é trabalho da equipe, acabamos por ter a companhia de dois rapazes na descida, que nos atrapalharam. O fato de que estavam sem equipamento de rapel, pouca água e nenhum preparo nos custou tempo, e colocou um risco a mais na nossa atividade.
Logo no início deve-se usar a corda se o trecho estiver molhado, mas como a semana passou sem chuvas pegamos o trecho muito seco. 

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Foto – nossa previsão da semana no dia 17/07

Seguimos durante uma hora até o primeiro trecho de escalada. Aí resolvemos nos equipar e colocamos nossos baudrier e sapatilhas. Apesar de serem trechos fáceis de rocha são lances expostos que podem proporcionar quedas de base, não vale a pena arriscar alguns trepas-árvores e raízes.

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Alguns outros trechos tentamos agilizar, alguns subiam direto e puxavam a corda, outros esperavam e usavam a segurança. O entrosamento dos alunos do CBM foi ótimo, se ajudam e se preocupam com os outros. Foi realmente uma escalada de equipe aonde o objetivo era a segurança do grupo e chegar no cume.

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As cordas foram sendo usadas o tempo todo. Abre a corda… sobe… prende… sobe um de cada vez… enrola a corda… caminha um pouco de costão… e segue pra cima.

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A medida que subíamos o costão iam mostrando-se as montanhas da serra, no início meio envergonhadas inseguras. Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora, Garrafão, Nariz do Frade… e muitas outras… O dia estava muito claro e fresco então fomos tomando o tempo de parar e apreciar as vistas. Foi muito tranquila a nossa subida.

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Depois as fotos contam melhor o que foi o dia…

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Foto – O primeiro costão exposto da via

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Foto – O primeiro costão

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Depois deste primeiro trecho de costão a vista ficou espetacular… não me lembro de pegar um dia tão limpo e fresco aqui no Escalavrado… foi realmente uma excelente combinação de atrasos com tempo bom…
Começamos a ter a companhia de Tiago e Maicon, que foram simpáticos mas estavam sem equipamento. A nossa intenção de ajudar talvez tenha comprometido o nosso tempo um pouco e fez com que eles se sentissem encorajados a seguir para o cume no nosso rastro. Isto foi um pequeno problema, que poderia ser pior caso o tempo não estivesse tão favorável.

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Foto – O segundo ‘cavalinho’, avista-se embaixo o primeiro costão e o primeiro ‘cavalinho’ (trecho em que os dois lados são grandes precipícios). Ao fundo até onde a vista alcança o Parque Estadual dos Três Picos

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Fotos acima - "Les muses dú CEC"

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Foto – O garrafão em destaque colado na pedra do Sino. O Dedo de Nsa Senhora, e lá no fundo a parte da travessia de Petrópolis.

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Fotos – Enfim cume.

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Foto - no durante a escalada encontramos com Tiago Luna, que estava por lá também. infelizmente não tiramos foto com o Leandro Arantes e a Paula Caetano que chegaram no momento exato do início nda descida. Lá pelas 14:00.

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A descida foi tranquila, fizemos totalmente no claro, e chegamos no posto quando estava escurecendo. Fizemos rapel em quase todos os trechos e chegamos ilesos na base. Cansados mas felizes, como 'suele pasar en las montañas'.

Fim...

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