Artigos Técnicos

ATA Reunião de Diretoria Técnica - 04/09/2018


Por rdmilone.

Clube Excursionista Carioca
Ata de Reunião de Diretoria

Data : 04/09/2018
Local : Sede – Rua Hilário de Gouveia 71/206
Horários:
Início às 19:30
Término às 21:15
Reunião foi gravada em áudio com 1:48:15 de duração

Sócios presentes:
Frederico Campos
Marcos Linhares
Alexandre Ferreira
Rodrigo Milone
Rodrigo Rodrigues
Leandro Moda
Hamilton Kai
Wagner
Quem mais ?!!!!

Pauta sugerida e debates
Esta reunião segue a pauta da reunião de Diretoria do dia 21/08/2018:
“Ao final da reunião foi convocada uma RDT para o dia 04/09/2018 para detalhar os assuntos discutidos nesta reunião...”

1º tema – Revisão dos equipamentos do CBM e compra de novos;
Milone sugeriu a compra de equipamentos novos para os Cursos Básicos, sendo importante a atualização de alguns baudriers, comprar um rolo de cordeletes de 6mm para atualizar os dos CBM e buscar mosquetões adequados para aparelhos de rapel (ATC).
A definição sobre assunto foi: aproveitar as oportunidades que aparecem e comprar os equipamentos oferecidos com custo baixo pro CEC.

2º tema – Revisão de proteções fixas e manutenção de vias do clube;
Foi contabilizado que temos atualmente 40 chapas PinGo, 60 chumbadores e 7 grampos P.
Milone falou da proposta de reformar o LAGARTÃO e pensar em usar grampos de titânio na reforma para manter a característica da via. Fred falou do custo quase inviável de conseguir comprar uma quantidade de grampos de titânio a preço acessível no Brasil, e propôs que pensássemos no uso de grampos de inox (Collinox e outros). Ainda ressaltou que os ambientes aonde são sugerido o uso de titânio são de classe 4 e não acontecem no Brasil, sendo plenamente aceitável o uso de proteções inox 316 sendo que os modelos de chapeletas atualmente disponíveis superam os requisitos.
Fred ainda atualizou os presentes de que em reunião anterior o CEC decidiu por comprar levas de proteções mistas, 60% de chapas e 40% de grampos P, mas não foram comprados mais grampos P somente 100 chapas PinGo da Bonier. Isso leva à ideia de que o CEC deve passar a comprar proteções que tenham durabilidade comprovada (INOX ou Ti) e sem solda evitando problemas recorrentes de degradação das mesmas.
O debate segue com ponderações como:
Linhares: “O grampo você sabe que foi bem batido, ele canta...”
Fred concorda: ”O grampo fala contigo...”
Alex: “Só não podemos usar duas chapas PinGo em paradas, é m… pra rapelar”
… todos concordam…e Fred diz que ainda não escalou nas PinGo.
Ficou decidido que não compraremos mais grampos soldados, seguindo recomendação da FEMERJ e documentos internacionais.
Sobre a reforma do Lagartão depois de algum debate ficou definido que:
- Consultaremos o Jean sobre o tipo proteção que ele aceitaria
- Verificaremos valores para a compra de Collinox e/ou TitanClimb.
Linhares falou sobre a reforma de outras vias que estão com proteções velhas: Solei, Quarto Sol e Roda Viva no Babilônia são muito frequentadas e merecem atenção em breve. Alex e Leo ficaram de avaliar e reformar a C100 na próxima temporada. Ainda foi falado que os alunos do CFG podem ser convocados a ajudar para cumprir os requisitos de Guia que exige conhecimento de instalação de proteções e manutenção de vias.
OBS: Milone e Monteza participam de um fórum da FEMERJ, via WhatsApp, que recebe informações sobre vias com proteções deterioradas ou alteradas, este é o canal principal atualmente.

3º tema - Atualização do Regulamento Interno (foi debatido durante a Reunião de Diretoria -pauta anexa- e ficou para ser melhor definido durante esta RDT:
Pontos Importantes:
- o que deve entrar no Regulamento Interno
- aprovação de novos sócios escaladores
- Monitores & EATs como conciliar?
- formação de Guias
Fred mostrou que o fluxograma de aprovação de sócios escaladores ainda não foi transportado para o Regulamento Interno (RI) e deve ser referenciado e entrar num item específico. Também falou que Milone propôs uma grande reforma do RI de forma a abranger todos os procedimentos do clube. O debate com aportes do Moda, Rodrigues e Milone seguiu mostrando que o nosso RI está defasado e vários procedimentos não estão contemplados, mas que isso é um assunto extenso e não consegue ser feito numa reunião única.
Propostas (entre os minutos 35 e 40 do audio)
- criar um documento editável online referenciando outros documentos existente que estão dispersos.
- organizar o drive e colocar nomes e modelos padronizados nos documentos.
O debate seguiu com a discussão da volta da figura do Estágio de Aperfeiçoamento Técnico EATs e a modificação dos critérios para Monitoria e Guias do Clube. Fred falou que devemos adequar os nossos currículos aos documentos da FEMERJ, de Guias e Monitores. Alex ponderou que os critérios são um pouco exigentes e seria inviável que os monitores atuais conseguissem seguir os critérios FEMERJ.
Fred falou que a volta dos EATs daria uma base de pessoas para ajudar nos cursos e atividades que estamos perdendo, pois, o nosso critério de monitores estava ‘alto’.
Pontos importantes: Fred mostrou que temos uma confusão de nomenclaturas e é importante entender a hierarquia dos documentos da FEMERJ:
Monitor de Montanhismo → Guia de Caminhada → Guia de Cordada → Guia de Montanha.
Debate: Alex ressaltou que o ‘Monitor de Montanhismo’ (FEMERJ-STM-2017-06) não pode ‘guiar sem supervisão’ vias de escalada. Fred falou que isso já é uma questão interna de cada clube. Milone disse que o fato de ’guiar sob supervisão’ já é um poder concedido por fazer parte do corpo de sócios do CEC, aonde as atividades e os sócios já são supervisionados constantemente. A frase polêmica é “...monitor de montanhismo é aquele capaz de auxiliar nas excursões em ambiente de montanha, guiadas pelos guias voluntários...”
Linhares, Moda, Rodrigues, Milone, Alex e Fred debatem questões entre os minutos 42” e 1’35”.
Fred fez a proposta definitiva conforme o seguinte (1’23”):
- Guia do CEC é Guia de Montanha da FEMERJ SMT/3;
- Monitor de Caminhada passaria a ser chamado de Guia de Caminhada;
- Monitor de Escalada passaria a ser chamado de Guia de Escalada ou Guia de Escalada;
- A nossa figura de monitor seria descontinuada e teremos os EATs (monitor de atividades) cumprindo esta função, com os nossos critérios. (Obs rdmilone: pensando bem seria equivalente ao Monitor de Montanhismo da FEMERJ).
- Os EATs (Estágio de Aperfeiçoamento Técnico) vai ser constituído pelos sócios que estão pretendendo se formar guias e participar da evolução. Poderão participar do EAT sócios por indicação, mérito, convite ou solicitação da própria pessoa.
Linhares argumentou que os guias e monitores devem estar comprometidos com as atividades do clube ajudando nos cursos, abrindo excursões, podendo pensar em um estágio de aprovação para os futuros guias. Fred complementou dizendo que seria uma boa forma complementar o currículo com uma tabela de benefícios e obrigações dos guias do clube. Linhares colocou também que algumas atividades deveriam ser planejadas e obrigatórias para o nosso Corpo de Guias, como: orientação, resgate, primeiros socorros, etc… Tudo isso seria uma forma de valorizar quem tem interesse em ajudar o clube.
Ao final da reunião falou-se sobre o Curso de Formação de Guias que seria a forma de dar treinamento aos atuais sócios e suporte para a evolução técnica e também a evolução dentro das nossas categorias. Assim os nossos sócios teriam como cumprir horas necessárias de aula teórica e complementas as suas competências. O Alexandre Ferreira e o Silvio Arnaut são os coordenadores deste curso.
As propostas do nosso CFG seriam:
que deveria ser feito de forma continuada
começar a fazer em convênio com o CERJ e outros clubes, facilitando o cumprimento do currículo para os guias. Cada atividade realizada em outro clube valeria para apresentação do currículo.
as passagens de categoria seriam feitas com apresentação de um currículo nos modelos do formulário de apresentação de currículo (modelo no drive).
teria um tempo para que todos se adequassem.

O Wagner pontuou que existem guias experientes e uma grande dificuldade de que os atuais monitores ou sócios mais experientes consigam fazer as vias mais difíceis. Que isso seria importante para a evolução dos atuais sócios. Linhares contribuiu dizendo que estes lapsos de gerações são realmente difíceis de sanar. Antigamente existiam excursões obrigatórias da temporada, tipo, DDDeus, Gallotti, caminhadas fortes.
Ao final da reunião decidimos que podemos abrir um Google Form (ou questionário tipo sim e não) para que voluntariamente os sócios monitores preencham e tenhamos um padrão para redefinir as nomenclaturas. Com isso definiremos as carências do nosso grupos de sócios, verificamos os interessados em evoluir e ajudar. Isso pode ser trabalhado com uma interação maior pelas aulas do CFG.

Final da RDT.

Aula de Primeiros Socorros + aula de Prevenção de Acidentes


Por charao.

AULA DE PRIMEIROS SOCORROS:

Aconteceu neste domingo chuvoso, 14/4/13 uma excelente aula de Primeiros Socorros ministrada pela Ian Will aqui na sede do clube. A aula ia ser na Urca, para ter um caráter mais prático porém a chuva não permitiu. Passamos quase 3 horas ouvindo, aprendendo e simulando os fundamentos do atendimento a acidentados. Parabéns ao Ian Will, que trabalha no Núcleo de Pesquisas em Urgências (NEPUr) da UFF. O Ian se disponibilizou para vir ao CEC outras vezes para falar de Primeiros Socorros de forma mais extensa. Ele informou também que existe uma parceria da UFF com a CCR Ponte que oferece cursos GRATUITOS de Primeiros Socorros para QUALQUER pessoa interessada.

Vejam o site do NEPUr/UFF: https://sites.google.com/site/uffnepur/

AULA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES:

Não percam neste terça agora, depois de amanhã a excelente palestra da Rô Gelly que sempre expõe de forma clara o tema Prevenção de Acidentes em Montanha. Antes de usar os Primeiros Socorros, o ideal é evitar ou diminuir a gravidades dos acidentes. E como existem cada vez mais praticantes do montanhsimo, haverá com certeza um número maior de acidentes. Temos que estar preparados para socorrer, pois sempre estamos mais próximos das possíveis vítimas do que qualquer ambulância do Corpo de Bombeiros.

Dsc 0005

Ranking de guias e participantes de 2012


Por gustavosoares.

Em 2012 recuperamos o ranking de guias e participantes das atividades oficiais (escaladas, caminhadas e etc) abertas pelo clube. 

Guto foi o responsável por manter e atualizar o ranking e fez um excelente um trabalho. O resultado foi apresentado no churrasco de aniversário de 67 anos do clube. Mais uma vez não foi possível desbancar o Alfredo Neto do topo da lista. O resultado está abaixo. Lembrando que para uma prancheta ser contabilizada no ranking é necessário ter o relatório no livro de relatórios que fica no clube. No total foram 89 excursões (ou pranchetas) abertas em 2012. Esse número provalmente é maior, pois nem sempre é feito o relatório/registro das atividades.

Ranking Guias 2012

O ranking de participantes das pranchetas ficou da seguinte forma:

Ranking Participantes 2012

Os tipos de pranchetas abertas, ou seja, de escalada, caminhada, conquista, cbm e recreativas ficaram distribuídas da seguinte forma.

Ranking 2012 Tipos Pranchetas

A diretoria agradece a todos que se empenharam em abrir e participar  das pranchetas, pois isso é uma das coisas que movimentam e mantém o clube ativo. Que venha o ranking de 2013.

Estudo sobre grampos - 14 anos depois: o que mudou?


Por miguel.

Marcelo Roberto e Miguel Freitas fazem uma revisão de seu famoso trabalho de teste de grampos de 1999, esclarecendo dúvidas e registrando os novos resultados divulgados e os conhecimentos aprendidos nestes 14 anos.

Em 1999 o estudo documentou pela primeira vez qual seria a força necessária para entortar e partir os grampos "P" utilizados como proteções fixas no Brasil (principalmente no Rio de Janeiro). Discutia-se também se estas forças seriam possíveis em uma escalada ou não, fazendo recomendações de melhorias.

O novo trabalho procura atualizar e contextualizar melhor toda esta discussão. Utilizando um formato tipo "perguntas e respostas" o objetivo é facilitar a consulta de informações e a objetividade.

Clique aqui para ler o trabalho em formato PDF.

Debate sobre segurança no rapel


Por webmaster.

O texto abaixo foi o resultado de um debate técnico sobre segurança no rapel que ocorreu na sede do CEC no dia 06/08/2008 para discutir entre outros assuntos, novas tendências, justificativas técnicas para o uso de determinados nós, validade ou não de juntar as cordas e rapel expresso. O debate contou também com outras pessoas da comunidade de montanhismo como o Júlio Mello e Kika Bradford.

Debate sobre segurança no rapel
CEC – 06/08/2008

Este texto contém comentários gerais do debate. Os comentários feitos por alguém em particular são colocados com o [autor] entre colchetes para facilitar a referência.

1) Procedimentos de segurança recomendados pelo departamento técnico

  1. Prussik francês na corda, preso na perna do baudrier. Motivo: serve para parar no meio da descida e para evitar que o escalador fique caindo se por algum motivo ele soltar a corda.
  2. Deixar a solteira presa no mosquetão do aparelho durante o rapel. Motivo: é um backup em caso de falha do ponto onde o descedor for ancorado no baudrier. Por exemplo, se o escalador não se ancorar no local correto (alcinha do baudrier ou mochila) ou ainda para quem não confia no loop.
  3. Um nó em cada ponta da corda. Motivo: evitar que o escalador passe pela ponta da corda por descuido.

2) Vale a pena unir as cordas no rapel?

A decisão de unir as cordas deve ser tomada caso a caso pois existem diversas situações onde o rapel com duas cordas é não apenas mais lento como também mais inseguro. O caso do rapel da Silvio Mendes é exemplar: vários escaladores do clube já rapelaram a via com cordas emendadas apenas para constatar que não valia a pena (o nó da corda prende frequentemente na chaminé). Recomenda-se que, mesmo quando houver duas duplas de escaladores para descer, o rapel com cordas emendadas seja considerado a exceção e não a regra. Como alternativas são sugeridas:

  1. Cada dupla rapela de forma independente (uma corda por dupla).
  2. As duas duplas rapelam em grupo mas alternando as cordas. Algumas atividades são possíveis de serem feitas simultaneamente (um rapel em cada corda, rapel numa corda enquanto a outra é puxada etc). Com escaladores bem entrosados esta alternativa pode ser praticamente tão eficiente quanto a dos rapeis independentes [Marcelo Jimenez e Miguel Freitas]. Uma possível vantagem deste esquema, não com relação a velocidade mas sim segurança (probabilidade de alguma coisa dar errado) é que cada trecho é aberto apenas 1 vez e tem 1 puxada de corda. Nos rapeis independentes todo trecho terá 2 aberturas/puxadas.
Naturalmente existem casos em que o rapel com cordas emendadas é indispensável. Em outros casos, ele facilita a descida por permitir parar em pontos melhores, por evitar diagonais ou por dar mais “autonomia” na busca por grampos distantes.
No caso de usar cordas emendadas, os seguintes esquemas foram propostos como alternativas para agilizar a descida de duas duplas:

  1. O primeiro escalador abre o rapel (60m – cordas unidas e fixadas individualmente). Dois escaladores descem simultaneamente com as duas cordas em fixa. O último desarma as fixas e desce em rapel normal [Guilherme Piu-Piu].
  2. No caso de uma cordada escalando com corda dupla, se forem ambos experientes, Poyares numa conversa, comentou uma alternativa seria dois rapeis independentes, ou seja, cada escalador faria seu rapel com sua corda. Este procedimento tende a aumentar a velocidade, mas diminui a segurança, pois todo trecho é aberto e tem 1 puxada por trecho [Adrian].

3) Qual o nó que deve ser usado para unir cordas?

1. Pescador Duplo

- Nó tradicional usado há mais de 60 anos.
- Conhecidamente seguro e resistente.
- Difícil de soltar depois de ser tracionado.
- Nos últimos anos tem sido questionado devido a chance de prender em lacas, bordas, fendas etc quando puxado. O estudo da [Bushwalkers] confirma esta teoria: o nó prendeu em todas as bordas (ver figura abaixo – copiada do estudo) exigindo significativamente mais força (em média 40kg) do que os outros nós. Por este motivo, o pescador duplo foi descartado como opção de nó para unir cordas no estudo da [Bushwalkers].

Pescador Duplo 01

- O [Miguel Freitas] levou um pescador duplo pro clube montado errado (os nós estavam invertidos). Desta forma eles corriam (se afastando) e o nó simplesmente abria. A idéia é uma pegadinha, aparentemente não existe como errar o nó desta forma: um dos lados teria que ser feito com a ponta da corda que está a 60m de distância. Outra forma seria fazer as metades independentemente e depois introduzi-las. Embora não seja possível errar na prática, é ilustrativo pensar no assunto e tentar montar o nó invertido.

2. Nó cego / overhand knot / flat overhand / Euro death-knot / EDK / nó da morte / nó de padaria


- Os nomes “nó da morte”, “nó de padaria” seriam nomes depreciativos, fazendo com que as pessoas tenham um preconceito em relação a este nó [Marcelo Roberto]. Segundo outra interpretação, o nome “nó de padaria” não seria depreciativo e sim indicaria a facilidade com que o nó é feito [Júlio].
- Concordamos que o nome “nó de padaria” é incorreto pois não é esse o nó usado normalmente para amarrar o pão. O [André Ilha] conhece uma padaria de Copacabana que ele jura que usa este nó, mas o fato não foi considerado estatisticamente significativo.
- O nó é significativamente mais fácil de ser desmontado que o pescador duplo após tracionado.
- Ao ser puxado, devido às suas características de montagem este nó teria menor tendência de prender pois ele tende a passar com a parte volumosa do nó por cima das quinas ao invés de prender nelas. Esta teoria é confirmada pelo estudo da [Bushwalkers] (ver figura abaixo do nó passando bem por uma quina). 

No Padaria 02

- Em algumas situações testadas pela [Bushwalkers] o nó pode prender na quina. A força para soltar da quina foi menor quando a corda estava tensionada, caindo de 25kg para 11kg em média. Outra curiosidade é que mesmo batendo de frente na quina, a face assimétrica do nó faz ele rodar e se soltar, desde que ele esteja com as alças para frente (o outro lado é simétrico e prende mais). Ver figuras abaixo.

No Padaria 03

Ideal: alças para frente e virado pra cima.

No Padaria 04

Pior caso: alças para trás e virado pra baixo.

- O nó possui um modo de falha curioso: ao ser tracionado ele pode “flipar” (rolar sobre sí mesmo), montando-se novamente com formato idêntico ao original só que mais próximo da ponta. No estudo do [Tom Moyer] o nó “flipou” com cargas entre 400kg e 700kg.
- É importante ressaltar que o nó “flipou” somente quando não estava bem apertado [Tom Moyer].
- O comportamento foi o mesmo com o nó molhado (as cargas obtidas foram parecidas) [Tom Moyer]. Ou seja, o nó não fica menos seguro nesta situação.
- A cada flipada o novo nó resistiu a uma carga superior a anterior [Tom Moyer].
- Uma condição em que a carga para ele virar foi muito inferior (90-130kg) foi obtida com o nó frouxo e montado com as cordas cruzadas/torcidas entre si (sloppy - crossing strands and loose) [Tom Moyer].
- Nos testes realizados na PUC o nó nunca flipou e a corda rompeu com cargas superiores a 600kgf [Adrian]. Nestes testes todas as 4 pontas de corda foram puxadas, o nó foi bem apertado.
- A [Kika] informou que conhece um relato de uma amiga americana que usou este nó e ele se desfez durante o rapel. Aparentemente, este é o mesmo relato feito por [Mark Magnuson]. A escaladora não morreu, caiu num platô e foi resgatada. Ela disse que a folga parecia menor no sexto rapel do que no primeiro. Foram feitas tentativas de reproduzir um nó mal feito que pudesse se desfazer, mas sem sucesso. Não se chegou a uma conclusão do que realmente aconteceu.
- Recomenda-se que cada uma das 4 pontas seja puxada individualmente e que seja deixada uma folga de no mínimo 30cm para o nó eventualmente flipar. Recomenda-se também inspecionar a quantidade de folga a cada rapel.

3. Oito duplo com pontas juntas / oito pela ponta / flat figure eight


- Este nó foi descartado no teste da [Bushwalkers] por falhar com cargas muito baixas (até mesmo 50kg).
- Nos testes do [Tom Moyer] o nó falhou com cargas significativamente mais baixas do que o nó cego (cerca de metade). Este nó também falha “flipando”, isto é, ele se remonta igual e mais apertado.
- Fiz um teste em casa [Miguel Freitas] e vi o nó (frouxo) “flipando” com o peso do corpo.
- Este nó chegou a ser sugerido em uma reunião no CEC para ser usado no lugar do nó cego por “parecer” mais seguro. O [Marcelo] chamou a atenção que em matéria de segurança não devemos improvisar: temos que usar técnicas testadas ou testá-las nós mesmo antes de usar. Neste caso seu comentário revelou-se particularmente correto pois o nó que parecia mais seguro era na verdade menos seguro.

4. Oito duplo “perseguindo” / rethreaded figure eight / figure eight pass-through / flemish bend


- Este nó é montado da mesma forma que o nó de encordamento só que com duas cordas. A segunda corda é introduzida na extremidade do nó e segue a corda até o início.
- O nó é tido como bastante seguro embora não tenham sido encontrados valores de resistência para ele.
- Este nó também não flipa.
- O motivo que levou a [Bushwalkers] a descartar a utilização deste nó foi por ele prender contra arestas (exigindo o dobro de força do nó cego), como pode ser visto na figura abaixo.

Oito Duplo 05

- Além da questão de prender ou atrito, não parece haver nenhuma dúvida na literatura quanto a segurança deste nó [Miguel Freitas].
- O [Júlio] comentou que em um teste que ele fez com esse nó montado de forma errada (incompleta?) ele soltou com o peso do corpo.
- Sobre esta última observação é importante lembrar o comentário do [André Ilha] (que não foi especifico a nenhum nó, em particular) de que a simplicidade dos procedimentos pode torna-los mais seguros por reduzir possibilidades de erros de montagem etc. Este poderia ser um ponto a favor do nó cego.

4) Rapel expresso, fazer ou não fazer?


− Segundo o [Bernardo], que citou um livro que ele levou pro clube, o rapel expresso é uma técnica de escalada basicamente inútil. Não existiriam situações práticas em que o (provável) tempo ganho compensasse os riscos envolvidos.
− O [Flávio Bagre] citou algumas técnicas que poderiam ser usadas para tornar o rapel expresso seguro e o [Hamilton] fez também uma sugestão neste sentido com prussiks “cruzados” entre escaladores e cordas. O [Miguel Monteza] comentou que estas técnicas poderiam até tornar o procedimento seguro, mas novamente deixariam ele lento o que anularia sua única (provável) vantagem.
− O [Guilherme] lembrou que no caso de rapelar de uma agulha sem ancoragens no cume, o rapel expresso é obrigatório.

Obs:
• O [André Ilha] disse que para a união de duas cordas de diâmetros diferentes ele decididamente preferiria o pescador duplo.
• [Bernardo] Disse que segundo o livro do [Craig Connally], Montanhismo Técnicas para Alcanzar em Cima, foram feitos teste com cordas de diâmetros diferentes e não houve problemas na união com nó cego com cordas de diâmetros bem diferentes, no livro ele chega a citar de 11mm com 5mm. Obviamente que é bom esperar outras confirmações dessa info.
• O [Miguel Freitas] levantou a questão do que aconteceria a esses nós
contra um grampo, como no caso de um rapel expresso, com escaladores de pesos diferentes, ou em qualquer outra situação. Ele questiona se o nó pode falhar, quando forçado contra o grampo, e sugere que o Adrian faça testes.

Referências:

Bushwalkers Wilderness Rescue Squad - David Drohan
PREFERRED KNOTS FOR USE IN CANYONS

http://www.carioca.org.br/~miguel/Preferred_knots_for_canyons.pdf

Rope and Gear Testing - Tom Moyer
Pull Tests of the "Euro Death-Knot" – 11/9/99

http://www.xmission.com/~tmoyer/testing/EDK.html

Cragmont Climbing Club - Mark Magnuson
Use of the Overhand Knot for Rapels

http://www.geocities.com/danielzimmerlin/pages/stories/knot.html

Solteira com a corda


Por rafael.

Para se ensolteirar com a corda, você vai precisar somente de um mosquetão de rosca. Você pode se ensolteirar ou com uma azelha ou com um fiel e uma azelha. O fiel permite que você regule o tamanho da solteira.

Ao chegar na parada, monte a parada normalmente. Prenda um mosquetão de rosca no mosquetão base da parada e faça um fiel frouxo, para poder facilmente regular o tamanho da solteira. Uma vez ajustado o tamanho da solteira, aperte o fiel e faça uma azelha de backup no lado maior da corda, prendendo essa azelha no mesmo mosquetão de rosca que o fiel. Não é recomendado se ensolteirar somente com o fiel, o nó pode correr.

E porque usar a corda de solteira? O que há de errado com a daisy chain?

Não há nada de errado com a daisy chain. Pelo contrário, ela é muito prática para usar e regular o comprimento. Na maioria das escaladas, usar uma daisy chain é a opção mais prática, rápida e fácil.  Porém, vale lembrar que a daisy chain foi projetada para escalada artificial e foi feita para suportar somente cargas estáticas. Qualquer carga dinâmica, como uma pequena escorregada do escalador enquanto na parada, pode resultar em cargas bastante elevadas na solteira e na parada.

Idealmente, a daisy chain não deveria ser usada para escalada em livre. Isso é uma prática bastante difundida e utilisada somente no Brasil. Porém no montanhismo europeu e norte-americano, raramente se ve um escalador em livre com uma daisy chain.

Existem também algumas ocasiões onde usar a corda como solteira tem vantagens consideráveis. Em escaladas muito longas, por exemplo, deixar a solteira em casa é menos peso para carregar e menos volume para colocar na mochila – daisy e mosquetão para regular o tamanho. Isso sem contar com menos uma coisa pendurada no rack do baudrier e se enroscando com as costuras e com os móveis.

Mas o principal uso da corda como solteira se dá em escaladas com paradas móveis, lances expostos em fator 2 e risco de queda de guia na parada. Nesses casos, é importante reduzir o impacto de uma possível queda do guia na parada.

A melhor forma de reduzir o impacto de uma queda em fator 2 na parada é não costurar a saída do guia. A força suportada por uma proteção qualquer quando o guia cai é aproximadamente 2 vezes a força de queda, isso de deve pelo efeito “roldana” que dobra a força aplicada na proteção. O efeito “roldana” pode ser evitado em fator 2, não costurando a saída. Assim a força de queda do guia vai ser diretamente aplicada no freio do participante, e a força resultante na parada vai ser mais ou menos a metade da força que seria aplicada caso a saída estivesse costurada. Um ganho considerável! Contudo, nesse caso, toda a força de queda do guia terá de ser suportada pela solteira do participante, e como foi dito antes, uma daisy chain não foi feita para isso. Então, você só pode optar por não costurar a saída se estiver ensolteirado com a corda.

E no rappel, sem a daisy chain, como faço para me prender nas paradas?

Para contornar isso, no início do rappel, você pode usar qualquer fita, fazer um boca de lobo no loop do baudrier e usar como solteira, com o mesmo mosquetão de rosca que você usou para se ensolteirar com a corda durante a escalada. Se você não tiver nenhuma fita para fazer um boca de lobo, pode usar as costuras expressas, mas atenção, um mosquetão simples no baudrier é perigoso pois pode abrir facilmente. Neste caso recomenda-se colocar 2 costuras paralelas, com os mosquetões virados para lados opostos. Referências

1 – Climbing Anchors – 2ª edição - John Long, Bob Gaines 2 - http://www.blackdiamondequipment.com/en-us/journal/climb/qclab/qc-lab-daisy-chain-dangers-en-glbl-en-us

Fiel – 2 dicas rápidas


Por rafael.

Tracionando melhor o mosquetão – quando usar um fiel em um mosquetão, é recomendado que o lado tracionado da corda coincida com o eixo principal do mosquetão (lado oposto ao gatilho), assim o esforço no mosquetão é menor devido ao menor braço de alavanca.

Mais de um fiel no mesmo cordelete – o fiel torce a corda (ou cordelete) em uma volta. Se mais de um fiel for atado perto um do outro, o restante do cordelete fica retorcido. Para evitar isso, faça cada fiel girando a corda para o lado oposto do outro. Assim, um fiel desfaz a torção na corda do fiel anterior.

Dois Fieis feitos pelo mesmo lado, torcendo o cordelete 

Dois fieis feitos por lados opostos, sem torção no cordelete

Grampos x chapeletas


Por gustavosoares.

Este texto, de autoria de Jean Pierre von der Weid, discute a problemática das proteções fixas e suas colocações, comparando alguns aspectos importantes que diferem os grampos e as chapeletas assim como os materiais usados, inox ou aço carbono.

Grampos x chapeletas Jean Pierre von der Weid

Muito se tem falado dos grampos fixos, termo usado antigamente para diferenciá-los dos grampos de fenda, conhecidos há tempos como ‘pitons’ e dos grampos de expansão, invenção dos anos 60 que impulsionou enormemente a qualidade técnica das nossas conquistas. Acredito que devemos ao CERJ, e provavelmente ao Pellegrini, a difusão desta preciosidade entre nós. Os grampos de expansão eram de ¼ e tinham uma chapeleta presa por um porca. Eram usados como meio de progressão ou para instalar uma proteção rápida e provisória que asseguraria a árdua tarefa de se bater um grampo de ½ numa posição precária. Muito mais tarde apareceram as chapeletas de ½, os ‘parabolts’, grampos fixos com colas e cimentos e outros tecnicismos, originários dos países europeus ou americanos do norte. O grampo fixo passou a ser chamado por muitos de grampo ‘P’ em alusão a seu formato, sobretudo pelos adeptos das chapeletas.

O Rio de Janeiro, pioneiro da escalada no Brasil, desenvolveu enormemente o esporte baseado na técnica de conquista com os grampos de expansão, usados onde não entravam as cunhas e pitons, e com os fixos. Naquele tempo, conquistar era uma atividade que ganhava este verbo somente se feita “de baixo para cima”, sem auxílio algum vindo do cume. O uso de colas e cimentos é impossível neste caso, não dá para esperar secar ou curar o cimento ou resina. Na busca de novas possibilidades, a criatividade foi exercida ao máximo e diferentes formas e materiais foram experimentados. O grampo de 3/8 veio para facilitar o árduo trabalho de abrir a marretadas o buraco do grampo, tornando as conquistas  mais rápidas. O seu sucesso na via Leste do Pico Maior de Friburgo é indiscutível.

O problema do grampo ainda é a sua fabricação não padronizada. Qualquer um que queira realizar uma conquista pode comprar um vergalhão de ½ e passar no serralheiro da esquina para mandar fabricar os grampos que usará. Nenhum padrão, nenhum controle de qualidade, nada restringe este gesto. O conquistador deixará sua via com grampos que poderão enferrujar ou não, mal ou bem soldados, de aço adequado ou não. Anos depois, outro escalador sentir-se-á no direito de ir lá e bater o grampo da sua escolha, sem nem perguntar ao conquistador suas preferências. A situação está assim sem padrão, até porque tudo mudou ao longo de quase cem anos de uso dos grampos, e pouca ou nenhuma atenção ao direito autoral. Considerando isto, e também porque tive conquistas minhas grampeadas ou regrampeadas à revelia, é que resolvi externar minha opinião sobre os grampos e chapeletas, materiais e etc e propor a fabricação de um novo tipo de grampo fixo que contorna os principais problemas dos atuais.

Grampos x chapeletas

Tenho lido muitos textos depreciando o grampo fixo e cantando loas às chapeletas. A grande diferença entre os dois é que as chapeletas trazem a marca do fabricante, em geral estrangeiro, reconhecido e aceito sem hesitação pelo escalador. Enquanto isso, os nossos grampos fixos foram ou são fabricados numa serralheria desconhecida por encomenda, eventualmente urgente, de algum conquistador antes de partir para sua conquista. Nem sempre este é o caso. Durante anos Pellegrini fabricou grampos para as conquistas do CERJ. Hoje em dia alguns fabricantes chegaram a ganhar nome na praça e manter um padrão, como é o caso do Chiquinho que há anos fabrica grampos de ½ em Petrópolis. Grampos da marca Santa Cruz invadiram às dezenas muitas das escaladas no Rio e vizinhanças, batidos à revelia dos conquistadores na maioria dos casos. Tão difundidas são estas marcas que Marcelo Roberto e Miguel Freitas, ambos do CEC, fizeram testes na PUC-Rio procurando quantificar sua resistência à tração. Verificaram que estes grampos resistiam a trações estáticas até pouco mais que 1.000 kg, deformando-se em seguida, quando o teste era então interrompido. Os resultados destes testes, que acompanhei pessoalmente, estão publicados na internet na página do CEC. Entre os testes não publicados está o que fiz com um grampo de ¼, marca Stubai, que se pode encontrar em muitas conquistas aqui no Rio. Preso com o olhal para baixo o grampo resistiu até 3.500 kg.

O que diferencia os grampos e as chapeletas a ponto de provocar tão acaloradas discussões? Além do problema da marca, os grampos trazem o inconveniente de terem uma forma que os expõe à deformação sob esforço, o que não acontece com as chapeletas. O grampo se fixa usualmente com o olhal para cima, de modo que o esforço se exerça no corpo do grampo e não no olhal soldado nele. Com isto, o torque exercido pela força de queda acaba deformando o grampo e fica muito difícil calcular se ele irá se partir ou não, o único resultado que interessa ao escalador. Raramente se fixou um grampo com o olhal para baixo, posição que permite que o olhal se apoie na parede impedindo a deformação. Se a solda for perfeita, o grampo resiste a quase 5.000 kg, mostraram os testes na PUC-Rio. Mas todos olhamos a solda como um ponto fraco e temos medo que ela ceda ao impacto. Eu mesmo passo uma fita no eixo quando encontro um grampo de olhal para baixo, não sei a qualificação do soldador que o fez. Estarei eu argumentado em favor das chapeletas? Decerto não, apenas conheço as limitações do grampo e não devo escondê-las numa discussão séria.

As chapeletas levam a vantagem da marca e dos cálculos teóricos, todos simples e conclusivos nas condições ideais. A força se exerce transversalmente ao eixo do parafuso de fixação e à chapa de aço usada na chapeleta, situação encontrada em todos os manuais. A desvantagem? Nem preciso falar da possibilidade de rapel, inexistente nas chapeletas a menos que se abandone uma fita. A forma complexa, com mais de um elemento (o parafuso de fixação e a chapeleta) e o fato de que é impossível conferir o estado de corrosão do eixo ou da rosca responsável pela fixação da chapeleta são desvantagens gritantes. Mais ainda, numa queda a chapeleta pode girar no seu eixo e exercer uma alavanca sobre a rosca, como um pé-de-cabra, amplificando muitas vezes o esforço da queda. Por último, quem já teve o trabalho de retirar grampos e chapeletas indevidamente batidos em conquistas alheias sabe muito bem que o pino das chapeletas parte-se com uma facilidade espantosa, ao contrário dos grampos.

Inox ou aço carbono?

O problema da maresia e corrosão é crucial no Rio de Janeiro, cidade dos paredões à beira-mar. O material usado nos grampos sempre variou de forma não controlada. Vemos grampos de ½ em aço carbono resistirem durante anos e anos, expostos diretamente à maresia do Pão de Açúcar, enquanto que outros se desfolharam em horrorosas camadas de ferrugem, reduzindo sua espessura útil a assustadores ¼ ou menos. Proteções diversas, tintas, zarcões, pixe, galvanizações e outros artifícios foram tentados mas nunca foi conclusiva a eficiência de qualquer destes métodos. Foi então que apareceu o aço inox como material ideal para grampos fixos. Com eles foi feita a regrampeação da chaminé Gallotti solução “milagrosa” para a maresia inclemente.

A grande vantagem do inox é, realmente, o fato de ser ele praticamente imune à maresia. Ao contrário do aço carbono, o inox tem sempre o mesmo aspecto mesmo depois de anos de colocado na pedra. Solução definitiva para a corrosão? Não! Outros problemas tornaram-se evidentes, problemas estes não suspeitados no início e que vieram a ser conhecidos com o desenvolvimento da tecnologia de prevenção à corrosão nas plataformas e equipamentos de exploração de petróleo no mar. O aço inox é, em primeiro lugar, um aço difícil de soldar sem degradar o material. Microtrincas aparecem e progridem pelo material sem serem percebidas a olho nu. O aço aparentemente perfeito um dia parte-se como um bastão de giz. Exemplos deste fenômeno foram reportados nos grampos da Gallotti. Outro problema é a textura do inox, muito lisa. O grampo de inox gira no buraco com muita facilidade, mesmo com palhetas para aumentar a pressão. O aço inox é uma roleta russa. Nunca sabemos se o grampo está bom ou se tem microtrincas e, mesmo depois de anos de fixado, ele gira no buraco com grande facilidade. Entre um grampo de inox e um de aço carbono, não há o que hesitar, fico com este último mesmo sabendo que ele será corroído. Ao menos saberei quando é a hora de trocar. O inox quebra sem avisar.

Um grampo diferente

Estas considerações apontam todas para a fabricação mais cuidadosa e padronizada dos grampos, contornando assim suas principais desvantagens. A eliminação da solda é o primeiro passo. Para isto a escolha do processo de fabricação deve passar pela forja, processo muito mais preciso, controlado, reprodutível e que dispensa as perigosas soldas. A escolha do material também deve ser cuidadosa, optando por um aço dútil o bastante para não ser quebradiço, mas que aceite receber as marretadas necessárias para sua colocação. Finalmente, ainda na escolha do material coloca-se a sua resistência à corrosão, descartando-se o inox, mas guardando algum cromo na sua composição ou incluindo um processo de galvanização eficiente para protegê-lo. Na página do CEC reproduzo o desenho que proponho para o grampo forjado de 12 mm (em vez de ½) a ser colocado com o olhal para baixo, evidentemente. Muito parecido com os grampos Stubai de ¼ ou com os velhos 3/8 do Pellegrini. Incluí uma corda de 11 mm e um mosquetão base no desenho, para dar uma escala e verificar o conforto do seu uso. O preço de custo do grampo não será muito maior que o preço dos grampos atualmente comercializados, o problema maior é a quantidade necessária para custear o preço da forma. Um ‘pool’ de clubes, escaladores e federações poderia viabilizar a sua fabricação e dar ao esporte uma alternativa nova e segura.

Jean Pierre

Estudo sobre as Proteções Fixas Utilizadas no Brasil


Por gustavosoares.

Este trabalho foi feito por Marcelo Roberto Jimenez e Miguel Freitas como projeto do Curso de Formação de Guias (CFG 1998-1999) do Clube Excursionista Carioca. Este foi apresentado em forma de palestra na sede do clube no dia 14/4/1999.

O trabalho compreende a análise da resistência de proteções fixas utilizadas em escalada em rocha no Brasil e chamadas pelos escaladores de "grampos". Apresenta ainda modelos teóricos e práticos sobre uma situação de queda e o esforço por esta produzido. Com isso, espera-se fornecer informações suficientes para que os leitores desenvolvam um senso crítico a respeito da confiabilidade destas proteções. São duas as formas de apresentação do trabalho na Internet: a versão HTML e a versão PDF. A versão HTML tem como objetivo ser consultada dentro do próprio browser do leitor, possuindo imagens com menor resolução para ganhar velocidade. A versão PDF possui imagens com melhor qualidade e está formatada para impressão em papel A4. Esta foi a forma encontrada para permitir tanto a navegação do trabalho quanto a distribuição de cópias do trabalho em seu formato original.

Trabalho Sobre Grampos (Versão HTML)

Trabalho Sobre Grampos(Versão PDF)

Atualização do Trabalho Sobre Grampos feita em 2013 (PDF).