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Análise do sistema de segurança Como já se tem noção da mecânica de uma queda de guia e da grandeza da força exercida no escalador durante uma tal queda, será feita uma análise do esforço no resto do sistema. O ponto crítico do sistema de segurança
é o último ponto de proteção colocado pelo guia. Neste ponto, na pior
das hipóteses, esta força será o dobro da força sentida no corpo do escalador.
Deste modo, o sistema de segurança deve ser capaz de suportar com uma certa folga as forças desenvolvidas neste ponto. Isto engloba a proteção, seja esta móvel ou fixa, e os mosquetões e fitas colocados entre a proteção e a corda. Ainda seguindo o raciocínio da pior queda, dentro do padrão UIAA para cordas dinâmicas, a maior força permitida no corpo do escalador é de 1200 kgf, o que resultaria numa força de 2400 kgf no último ponto de proteção. A maioria dos mosquetões e fitas utilizados hoje em dia no Brasil, são importados e obedecem às normas da UIAA. Atualmente, nenhuma corda de escalada fabricada ultrapassa os 1000 kgf, o que quer dizer que a força na última proteção não chega a 2000 kgf. Existem fitas e mosquetões com especificação de 2200 kgf que são adequados para escalada. Quanto às proteções fixas, a recomendação da UIAA é de 2500 kgf, o que dá uma margem de segurança. Já os equipamentos móveis, dificilmente ultrapassam o valor de 1400 kgf ficando na média em torno dos 1000 kgf, e portanto, sua colocação é bem mais crítica do que no caso das proteções fixas. Colocar móveis é uma arte que se aprende com muita prática e envolve por exemplo saber como equalizar paradas e proteções a fim de que as forças sobre os componentes individuais jamais ultrapassem seu limite de funcionamento. Uma equalização mal feita, pode ter como conseqüência a geração de forças superiores ao dobro da força de queda, o que é extremamente perigoso. Numa parada em móvel, existem no mínimo 4 peças, três dando segurança para a força resultante da queda do guia e uma para que o participante dando segurança não seja puxado para cima. Os tipos de proteção fixas podem
ser divididas genericamente em dois tipos: os grampos e as chapeletas.
Os grampos são construídos a partir de um vergalhão de aço que será preso
à rocha, possuindo um olhal também de aço, onde se colocam os mosquetões,
podendo ainda ser usados para passar diretamente a corda a fim de efetuar
a descida (rapel). As chapeletas são lâminas de aço que são presas à rocha
normalmente por um pino com rosca ou peça de expansão.
Os grampos podem ser ainda do tipo forjados (ex. Collinox e Bat'inox da Petzl que são constituídos de uma peça única) ou do tipo olhal soldado, mais comum no Brasil, e que será o objeto principal deste estudo. Os grampos soldados são tradicionalmente usados no Brasil há muitos anos, e seu surgimento remonta ao início da escalada em nosso país, quando não havia acesso fácil a equipamentos importados. As chapeletas são uma concepção mais moderna de proteção fixa. Sua construção é extremamente simples, e são fabricadas no exterior com controle de qualidade que garante sua resistência. A principal desvantagem da chapeleta é que para descer, o escalador é obrigado a abandonar material, fitas ou mosquetões, pois a lâmina de aço destas não é adequada para se passar diretamente uma corda, havendo risco de rompimento. |