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Conclusões Os grampos produzidos e largamente utilizados no Brasil apresentam confiabilidade duvidosa quando analisados segundo os padrões internacionais e como equipamentos de segurança. Quando exigidos nas piores situações possíveis de serem encontradas em uma escalada normal, tais como corda com alta força de choque, fator de queda máximo e escalador pesado, os grampos podem ser danificados e até mesmo não resistir. Não está sendo afirmado aqui que os grampos não suportarão quedas de guia, mesmo porque a prática tem mostrado que a situação de grampo partir não é nem um pouco comum (embora não existam números oficiais sobre o assunto). O que deve ser observado é que os grampos são equipamentos de segurança importantíssimos, aos quais muitas pessoas confiam as suas próprias vidas, e por isso teriam que suportar esforços muito acima da pior queda possível. O que ocorre na prática é que as quedas normalmente acontecem com fatores menores do que 2 em cordas com força de choque muito menores que as especificações UIAA. A corda para ser aprovada pela UIAA deve possuir força de choque menor do que 1200kgf, resultando em um esforço máximo na proteção de até 2400kgf (a força na proteção é o dobro da força de queda). As modernas cordas de escalada apresentam forças de choque geralmente entre 670kgf e 900kgf, exigindo portanto muito menos do sistema em caso de queda. Deste modo é pouco comum encontrar grampos amassados por quedas nas vias de escalada. Algumas vias muito freqüentadas ou com lances difíceis onde ocorrem muitas quedas possuem grampos entortados, mostrando que estes chegaram a resistir a forças da ordem de 1300kgf (valor em que a maioria dos grampos testados de ½'' saíram do regime elástico). Dependendo do aço utilizado tal situação pode estar próxima ou não do ponto em que o grampo trinca, como foi visto nos testes. A conclusão que chegamos é que do modo que os grampos são construídos e utilizados, estes são inadequados como equipamentos de segurança. As soldas encontradas nos grampos também foram consideradas soldas de baixa qualidade, possuindo pouca penetração. Apesar disso, todas as soldas testadas suportaram cargas maiores do que seria necessário para aprovação como material de segurança em escalada. Deve-se ter particular atenção na colocação adequada das proteções fixas, um grampo mal batido é extremamente perigoso. Como não há mecanismo de expansão e nem é usado nenhum tipo de cola, a boa colocação do grampo depende muito da talhadeira ou broca utilizadas para fazer o furo. É comum ouvir no meio montanhista que o grampo deve entrar na rocha "cantando", o que é uma referência ao barulho que a peça emite quando o furo está bem justo. O grampo bem batido deve ficar com o olhal o mais próximo possível da rocha, para ter o menor momento fletor e a menor chance de entortar ou quebrar. Aqui também o aço utilizado parece ter papel importante. Verificou-se, por exemplo, que o grampo de aço inox testado saiu muito mais facilmente da peça de prova do que os outros. Algumas recomendações devem ser feitas de modo a obter um grampo seguro como proteção fixa de escalada: 1 – A solda do olhal deve ser
melhorada para se obter maior penetração. O ideal seria que a peça fosse
forjada inteira, mas como isso não parece economicamente viável, uma boa
alternativa seria "cunhar" o olhal antes para permitir à solda uma maior
área de contato.
2 – O fabricante deve colocar uma marca no grampo. Isto é fundamental para manter um padrão de qualidade, principalmente porque não é possível inspecionar a qualidade da solda externamente. 3 – Tendo sido seguidas as recomendações 1 e 2, recomenda-se então que a colocação do grampo seja invertida, ou seja, que ele seja batido com o olhal para baixo. Nesta configuração a resistência do grampo é muito maior do que com o olhal para cima, tornando o grampo um equipamento seguro para prática de escalada. Não é recomendada a colocação de grampos de qualidade de solda desconhecida com o olhal para baixo, uma vez que todo o esforço será exercido nesta. 4 – Tornar a colocação do grampo na rocha mais segura, por meio de mecanismo de expansão. Atualmente o grampo é preso apenas na pressão. Uma sugestão seria estudar o efeito de um "cartilhado" na barra principal, que teoricamente poderia melhorar a fixação do grampo na rocha. Certamente estas medidas aumentarão
o custo de produção dos grampos devido a maior complexidade de usinar
a peça. Atualmente os estes podem ser adquiridos por preços que variam
entre R$2,00 e R$7,00 (inox). Como era de se esperar, as chapeletas importadas demonstraram ser bastante seguras, estando dentro das especificações para equipamentos de escalada. As principais desvantagens destas são o custo elevado com que são encontradas por aqui e a impossibilidade de descida sem abandono de material. Além disso, por uma questão meramente cultural, as chapeletas não são de modo geral bem vistas no Brasil. Os escaladores, acostumados durante muitos anos a utilizar apenas grampos, muitas vezes imaginam que as chapeletas são menos resistentes (o que não é verdade). |